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Pater noster

PATER NOSTER qui es in caelis, sanctificetur nomem tuum, adveniat regnum tuum, fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

PAI NOSSO que estais nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

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Nunca deixar a oração

Se a oração faz tanto bem e é tão necessária aos que não servem a Deus e até o ofendem, ninguém pode objetar maior dano que o de a não ter. Se é assim, digo: por que hão de deixá-la os que servem a Deus e querem serví-lo? Por certo não consigo entender. Passam penosamente os sofrimentos da vida, fechando a Deus a porta para que não lhes dê a verdadeira felicidade. Causam-me, na verdade, lástima, pois servem a Deus às próprias custas. Quanto aos que tratam de oração, o mesmo Senhor lhes dá ajuda de custo, e, por um nadinha que se esforcem, concede-lhes alegrias para aguentar os sofrimentos.

(Santa Teresa de ÁvilaVida, cap. 8, 8b).

São João Maria Vianney: Por que rezar?

– O bom Deus não tem necessidade de nós: se Ele nos ordena rezar é porque quer a nossa felicidade, que se encontra na oração.

– Não temos necessidade de falar muito para bem rezar. Sabemos que Deus está lá, no santo tabernáculo; abrimos o nosso coração; comprazemo-nos em sua santa presença. Esta é a melhor oração.

– A oração é para a alma o que a chuva é para a terra. Adubai uma terra quanto quiserdes, mas se lhe faltar a chuva, tudo o que fizerdes não servirá para nada.

– A alma que reza pouco é semelhante às aves do galinheiro que, mesmo tendo grandes asas, não sabem como utilizá-las.

– Quando não temos consolações, servimos Deus por Deus, mas quando as temos nos expomos a serví-lo para nós mesmos.

– O bom Deus é a alegria daqueles que o amam.

Salve, Regina

SALVE, REGINA, mater misericordiae, vita, dulcedo et spes nostra, salve. Ad te clamamus, exules filii Evae. Ad te suspiramus gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria.

Ora pro nobis, sancta Dei Genitrix, ut digni efficiamur promissionibus Christi.

SALVE, RAINHA, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do Vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Angelus

ANGELUS DOMINI  nuntiavit Mariae – et concepit de Spiritu Sancto.  Ave, Maria …

Ecce Ancilla Domini – Fiat mihi secundum verbum tuum. Ave, Maria …

Et Verbum caro factum est. – Et habitavit in nobis.  Ave, Maria …

Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremos:  Gratiam tuam quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde, ut qui, Angelo nuntiante, Christi Filii tui incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis gloriam perducamur. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.    Gloria Patri

O ANJO DO SENHOR anunciou a Maria. E ela concebeu do Espírito Santo. Ave, Maria…

Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa palavra. Ave, Maria…

E o Verbo se fez carne. E habitou entre nós. Ave, Maria…

Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça, em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém.    Glória ao Pai…

Regina caeli

REGINA CAELI, laetare, alleluia.  Quia quem meruisti portare, alleluia.

Resurrexit, sicut dixit, alleluia.  Ora por nobis Deum, alleluia.

Gaudete et laetare, Virgo Maria, alleluia.  Quia surrexit Dominus vere, alleluia.

Oremus: Deus, qui per resurrectionem Filii tui Domini nostri Iesu Christi mundum laetificare dignatus es, praesta, quaesumus, ut per eius Genitricem Virginem Mariam perpetuae capiamus gaudia vitae. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

RAINHA DOS CÉUS, alegrai-vos, Aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, Aleluia!

Ressuscitou, como disse. Aleluia!    Rogai por nós a Deus. Aleluia!

Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia!  Porque o Senhor ressuscitou, verdadeiramente. Aleluia!

Oremos:

Ó Deus, que enchestes o mundo de alegria com a ressurreição do Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, concedei, nós vo-lo pedimos, que pela intercessão da Virgem Maria, Sua Mãe, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo Senhor nosso. Amém.

São Cipriano de Cartago: a comunhão fraterna torna a oração eficaz

S. Cipriano de Cartago, em mosaico bizantino do séc. VI

Se somos co-herdeiros de Cristo, permaneçamos na paz de Cristo. Se somos filhos de Deus, sejamos pacíficos. “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Convém, pois, que os filhos de Deus sejam pacíficos, mansos de coração, simples quando falam, concordes nos afetos, sempre ligados uns aos outros pelos laços da unidade de espírito.

Essa unidade reinou ao tempo dos Apóstolos e a nova plebe, o povo dos que acreditaram, guardava os preceitos do Senhor e ficava fiel à sua caridade. Prova-o a divina Escritura, dizendo: “A multidão daqueles que acreditavam se comportava como se fossem todos uma só alma e uma só mente” (Atos 4,32).

E antes: “Estavam perseverando todos unânimes na oração com as mulheres e Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos” (Atos 1,14). Por isto oravam de modo eficaz e podiam confiar em alcançar o que estavam pedindo à misericórdia divina.

(A Unidade da Igreja Católica, 24,3. 25)

São Cipriano de Cartago: Deus ouve a oração humilde, de quem se reconhece fraco e pecador

Quem ora, queridíssimos irmãos, não deve ignorar como o publicano e o fariseu oravam no templo. Aquele não levantava descaradamente os olhos ao céu nem erguia as mãos com insolência, mas implorava o auxílio da misericórdia divina batendo no peito e confessando os seus pecados íntimos. E enquanto o fariseu se comprazia em si mesmo, o publicano que assim rezava mereceu ser santificado, pois não havia posto a esperança da sua salvação na garantia da sua inocência – porque ninguém é inocente – , mas na confissão humilde dos seus pecados; e Aquele que perdoa os humildes prestou ouvidos àquele que assim rogava.

O Senhor confirma-o no seu Evangelho ao dizer: Subiram dois homens ao templo para orar; um era fariseu, e o outro publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os outros homens, injustos, ladrões, adúlteros, nem como este publicano; jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo o que possuo. O publicano, porém, conservando-se à distância, não ousava levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador. Digo-vos que este voltou justificado para casa, e não o fariseu, porque quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado (Lc 18,10-14).

(De oratione dominica, 6)

São Cipriano de Cartago: o equilíbrio, a modéstia e a reverência na oração pessoal e na oração litúrgica

As palavras e as súplicas dos que oram devem ser disciplinadas, serenas, contidas e respeitosas; tenhamos em conta que estamos na presença de Deus. Devemos ser agradáveis aos olhos de Deus tanto pela atitude do corpo como pela moderação da voz, pois se é próprio do despudorado rezar aos gritos, ao homem discreto convém orar modestamente. Além disso, no seu magistério, o Senhor preceituou-nos que rezássemos em segredo, em lugares afastados e recolhidos, e até no próprio quarto, pois é o que mais convém à fé; assim temos presente que Deus está em toda a parte, que nos ouve e vê a  todos, e que a imensidão da sua majestade penetra nos lugares mais recônditos e ocultos, tal como está escrito: Eu sou um Deus que se aproxima, não um Deus longínquo. Se o homem se ocultar em lugares ocultos, por acaso não o verei? Não preencho o céu e a terra? (Jer 23,23-24). E noutra passagem: Os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando os bons e os maus (Prov 15,3).

Da mesma forma, quando nos reunimos com os nossos irmãos, e oferecemos os sacrifícios divinos pelas mãos do sacerdote de Deus, devemos lembrar-nos da modéstia e da disciplina e não proferir as nossas orações com palavras destemperadas nem enunciar com tumultuada loquacidade as súplicas que deveríamos confiar modestamente a Deus, porque Deus não escuta as palavras, mas aquilo que sai do coração; não podemos dirigir-nos aos brados Àquele que conhece os pensamentos dos homens, como assegura o Senhor ao dizer: Por que pensais mal em vossos corações? (Mt 9,4). E noutro lugar: E todas as igrejas saberão que eu sou aquele que perscruta os rins e os corações (Apc 2,23).

Isto mesmo é o que nos ensina e transmite – como vemos no primeiro livro dos Reis – aquela Ana que prefigura a Igreja, pois não rogava a Deus com clamorosa petição, mas dirigia-se a Ele calada e tranquilamente no íntimo do seu peito. Falava-lhe às ocultas, mas manifestava a sua fé; falava, não com a voz, mas com o  coração, porque sabia que desse modo o Senhor lhe daria ouvidos e que assim conseguiria com maior eficácia aquilo que dessa forma lhe pedia com maior fé. É o que declara a Escritura quando diz: Falava no seu coração e moviam-se os lábios, mas não se ouviam as suas palavras, e o Senhor a escutou (1Rs 1,13). O mesmo lemos nos Salmos: Falai no vosso interior e retirai-vos para os vossos aposentos (Sl 4,5). E o Espírito Santo sugere-nos a mesma ideia ao falar pela boca de Jeremias: Deves adorar a Deus no teu íntimo (Jer 5,6; Bar 6,5).

(De oratione dominica, 4-5)

São Cipriano de Cartago: a excelência do Pai Nosso, a oração do Senhor

Que oração poderia ser mais espiritual do que aquela que nos foi dada por Cristo, que também nos enviou o Espírito Santo? Que súplica poderia ser mais eficaz junto ao Pai do que aquela que saiu da boca do Filho, que é a própria Verdade? Orar de modo diferente daquele que o Senhor nos ensinou não só seria ignorância, mas culpa, uma vez que Ele próprio o afirmou ao dizer: Rejeitais o mandamento de Deus para ater-vos à vossa tradição (Mt 15,6; Mc 7,8).

Portanto, queridíssimos irmãos, oremos como nos ensinou o nosso Mestre, Deus. É-lhe grato e familiar dirigirmo-nos a Ele com as suas próprias palavras, fazermos chegar aos seus ouvidos a oração do próprio Cristo. O Pai há de reconhecer as palavras do seu Filho quando lhe rogarmos com elas; Aquele que habita em nosso peito deve estar também em nossos lábios, e como além disso Ele é intercessor pelos nossos pecados diante do Pai, convém que nós, pecadores, ao pedirmos perdão dos nossos delitos, nos sirvamos das palavras utilizadas pelo nosso Advogado. Com efeito, se Ele declara que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá (Jo 16,23), quanto mais eficaz não será a nossa súplica se pedirmos não somente em nome de Cristo, mas valendo-se da sua própria oração?

(De oratione dominicaSão Cipriano, Bispo de Cartago, séc. III).

Sobre o blog

Este blog tem o objetivo de ser um estímulo na vida de oração e meditação, como elementos indispensáveis na vida cristã, apresentando alguns textos  dos Santos Padres, de alguns santos e santas e, eventualmente, de alguns outros autores.

Falar de oração exige, sem dúvida, algumas pontuações doutrinais como também uma ampla compreensão da oração litúrgica da Igreja. Em outras palavras, a oração pessoal não é nunca solitária, é sempre unitiva, pois une a Deus, aos santos, a toda a Igreja,  forma uma família espiritual,  – o que é mesmo, de certo modo, um dos sinais mais importantes de sua autenticidade.

Certo é, também, que  vida de oração se insere dentro de todo o contexto da vida cristã. Mas seria um grave equívoco pensar que, por causa disso, ela se resolve como que magicamente, dispensando qualquer esforço ou metodologia…

Pensamos que, ao contrário, devemos levá-la a sério, refletir sobre ela e, mesmo, na medida do possível, planejá-la, programá-la, uma vez conscientes de sua importância vital. A essa grande aventura pretendemos dar, modestamente, uma pequena contribuição.

                                                                                                      A. M. D. G.

Ao Deus Altíssimo

Vós sois santo, Senhor Deus único, que fazeis maravilhas. Vós sois forte, vós sois grande, vós, ó Pai santo, o rei do céu e da terra. Vós sois trino e uno, Senhor Deus dos deuses, vós sois o bem, todo o bem, o sumo bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro. Vós sois amor, caridade; vós sois sabedoria, vós sois humildade, vós sois paciência, vós sois beleza, vós sois mansidão, vós sois segurança, vós sois quietude, vós sois regozijo, vós sois nossa esperança e alegria, vós sois justiça, vós sois temperança, vós sois toda nossa riqueza até à saciedade. Vós sois beleza, vós sois mansidão, vós sois protetor, vós sois guarda e defensor nosso; vós sois fortaleza, vós sois refrigério. Vós sois nossa esperança, vós sois nossa fé, vós sois nossa caridade, vós sois toda a nossa doçura, vós sois nossa vida eterna: grande e admirável Senhor, Deus onipotente, misericordioso Salvador.

Restituamos todos os bens ao Senhor Deus altíssimo e sumo e reconheçamos que todos os bens são dele e por tudo demos graças a ele, de quem procedem todos os bens.

E o mesmo altíssimo e sumo, único Deus verdadeiro, os tenha, e lhe sejam restituídos; e ele receba todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glória, ele, de quem é todo o bem, o único que é bom. E quando nós virmos ou ouvirmos dizer ou fazer o mal ou blasfemar contra Deus, nós bendigamos, façamos o bem e louvemos a Deus, que é bendito pelos séculos.

(São Francisco de Assis)